O Panorama da Estratégia: Dos Clássicos do PC ao Fenômeno Mecha

O mercado brasileiro de games possui uma inclinação clara quando se trata de desafiar o intelecto. Uma pesquisa recente conduzida pela plataforma MindMiners revelou que os jogos de estratégia figuram como os favoritos entre os jogadores do Brasil, com uma parcela significativa desse público elegendo o PC como sua plataforma principal. Se você é daqueles que aprecia passar horas planejando táticas e gerenciando recursos, o cenário atual oferece desde o retorno de lendas consagradas até inovações táticas que misturam robôs gigantes e animes clássicos.

Abaixo, exploramos os títulos que definem o gênero no computador e como novas produções estão expandindo essas fronteiras.

A Hegemonia dos Clássicos no PC

Para quem busca experiências consolidadas, a lista de recomendações é vasta e repleta de personalidade. Começamos com Command & Conquer: Remastered Collection. Dificilmente você encontrará um título com tanta identidade quanto esta coleção. A versão remasterizada não apenas atualiza a interface do usuário e o editor de mapas, mas revive as disputas no modo multijogador. Composta pelo jogo original e pela sequência Red Alert, além de todas as expansões, a obra foi habilmente adaptada para rodar com perfeição em PCs modernos, garantindo um visual agradável nos monitores de alta definição atuais.

Já para os construtores de civilizações, Age of Empires IV trata da construção de impérios e da supremacia sobre os rivais. O jogador pode enfrentar campanhas com narrativas históricas definidas ou batalhar contra oponentes reais em uma corrida pelo controle territorial. Com unidades terrestres e navais à disposição, oriundas de uma variedade de civilizações históricas, a quarta edição da franquia inclui cenários inspirados na história real e mecânicas exclusivas para cada exército.

No campo da ficção científica competitiva, StarCraft II permanece imbatível. É, sem dúvida, um dos jogos de estratégia mais populares já feitos, um clássico multijogador que mistura cowboys espaciais, alienígenas xenomorfos e tecnologias avançadas. A tarefa é clara: coletar recursos, construir exércitos e eliminar o inimigo antes de ser eliminado. As unidades exclusivas podem alterar drasticamente o curso de uma batalha se usadas corretamente, e, embora a curva de aprendizado envolva derrotas frequentes, a evolução das habilidades do jogador é palpável e gratificante.

Para os entusiastas da Segunda Guerra Mundial que buscam profundidade, Hearts of Iron IV se apresenta como um híbrido de jogo de guerra e grande estratégia. O título oferece planos de batalha precisos e complexas opções diplomáticas. Embora focado no conflito histórico, ele permite que o jogador ignore os eventos reais, estendendo o caos até as décadas de 50 ou 60. Suas expansões abrangem batalhas navais, espionagem e um controle minucioso sobre quase todos os aspectos da guerra.

Em uma vertente mais fantástica, Endless Legend prova que não é preciso sacrificar a narrativa para criar um jogo atraente. Misturando fantasia e ficção científica, ele coloca astronautas contra civilizações que convivem com dragões em um mundo visualmente impressionante. Cidades são erguidas e guerras declaradas, mas são os gráficos e o design artístico que imploram para serem explorados, apoiados por ideias novas que vão do combate tático à gestão de facções.

Ainda no reino da fantasia, Total War: Warhammer III oferece a chance de mover exércitos pelo mapa ou selecionar personagens específicos para dar ordens diretas. O gerenciamento de assentamentos e objetivos diplomáticos se mescla a batalhas em tempo real, onde o jogador pode construir seu império e infundir medo naqueles que se opõem ao seu reinado.

Retornando ao espaço, Stellaris se destaca como um dos melhores jogos de estratégia sci-fi para PC. Cada partida é uma jornada única, contendo desde motins robóticos até alienígenas que habitam buracos negros. O jogo é projetado para gerar histórias emergentes enquanto você guia sua espécie pelas estrelas, podendo interferir em códigos genéticos, subjugar outras raças ou consumir a galáxia como uma colmeia voraz.

Fechando o panteão dos gigantes, temos Europa Universalis IV, que coloca o jogador no comando de uma nação desde o final da Idade Média até o século XIX. O título permite alterar eventos históricos em um mundo enorme e complexo que, após anos de expansões, continua crescendo. Durante quatro séculos, o objetivo é governar terras, construir estruturas de poder e dominar o comércio global.

A Nova Fronteira: Mecharashi e o Desafio Evangelion

Enquanto os títulos acima dominam o cenário tradicional, o gênero de RPG tático (SRPG) continua a evoluir, encontrando novas formas de cativar o público. Um exemplo recente dessa inovação é Mecharashi, um RPG estratégico gratuito que está vivendo o sonho de qualquer fã de mecha: um evento crossover com Neon Genesis Evangelion.

No início deste mês, os imponentes mechas do anime aterrissaram nos campos de batalha do jogo. No entanto, antes que essa colaboração pudesse acontecer, a equipe de desenvolvimento precisou resolver um problema logístico complexo: a escala. Enquanto os tanques bípedes de Mecharashi, conhecidos como STs, raramente ultrapassam a altura de um prédio de dois andares, as unidades EVA de Evangelion podem chegar a quase 100 metros de altura e pesar milhares de toneladas.

Em conversa recente com os desenvolvedores do BlackJack Studio, ficou claro como eles contornaram essa questão e como trabalharam para criar o jogo em um momento onde títulos focados em mechas são considerados um nicho. Lançado em inglês na América do Norte em meados de 2025, Mecharashi combina o gênero de estratégia com a temática de robôs gigantes em um formato free-to-play. Apenas meio ano após sua estreia, o estúdio garantiu a colaboração com o anime que definiu o gênero em 1995.

A equipe do BlackJack Studio, que prefere ser identificada como um coletivo, descreve-se como um grupo “nascido da comunidade mecha da China”, repleto de veteranos em montagem de modelos e consumo de mangás. “Jogos de estratégia japoneses e animes de mecha são fontes constantes de inspiração para nós. Durante longas discussões de design, colocávamos animes de fundo apenas para manter o cérebro funcionando. E, claro, Neon Genesis Evangelion deixou sua marca na maneira como abordamos o jogo”, afirmam.

Um Nicho Dentro de um Nicho

O amor do estúdio pelo gênero é evidente na estética e na jogabilidade. Mecha é um estilo que vive da paixão: as relações complicadas entre os personagens e a emoção que as máquinas evocam. Mesmo que não façam sentido operacional perfeito, a regra principal é que precisam parecer incríveis. Ao dar zoom na garagem de mechs, é possível ver detalhes ocultos nos modelos, como painéis e sistemas hidráulicos.

Em movimento, os robôs dão pequenos saltos para ajustes curtos, passadas largas para reposicionamento e utilizam rodas para deslocamentos longos pelo mapa. Seus braços travam em posições estáveis antes de disparar, e pilotos habilidosos executam movimentos com floreios de bravata. O design aproveita a movimentação não humana: ao balançar uma arma de haste, o torso de um mech gira além do que um humano conseguiria, garantindo aquele impulso extra de impacto.

O que surge ao jogar é uma combinação de elementos clássicos de SRPG de mecha com sensibilidades de design moderno. A progressão dos personagens e a personalização das máquinas formam um jogo à parte, onde se desbloqueiam novos pilotos, habilidades e estatísticas ao longo do tempo. Mecharashi prova que, seja comandando impérios históricos no PC ou pilotando robôs gigantes em batalhas táticas, a estratégia continua sendo um terreno fértil e apaixonante para os jogadores brasileiros.